dezembro 31, 2007

*between the click of the light and the start of a dream

Começou como devia ter começado. As barreiras que surgiram encontraram obstáculos a sua ascenção, foram derrotadas, por momentos assemelharam-se a quase intransponíveis, mas nada como o tempo, o tempo destroi tudo, o melhor e o pior. Foi fundamentalmente uma saturação. Inevitável, extenuante, disfarçada, vivendo como um camaleão ofegante e receoso. Era o de sempre misturado com o de nunca. Era o desiludir e as vivências usuais adormecidas em mantos surreais. Era uma luta, uma disponibilidade e uma perserverança. Mais que tudo isso era a viragem e a sensação de esgotamento. Fim. Necessidade de fim. Se bem que o fim abriu alas ao início.

.eu provavelmente morro com o fim da luta mas se te faz feliz eu paroNecessidades, as vezes não temos noção do quanto podemos sacia-las e das várias formas que podemos destrui-las, penso até que temos umas ideias pré-concebidas cobertas de pó e bolor de como as redimir. E por vezes enganamo-nos. E outras vezes até seguimos pelo melhor caminho que poderiamos ter seguido mesmo que durante o percurso nunca acreditássemos em tal escolha. Escolha amaldiçoada, muita força seria precisa para transformar uma queda abrupta assente em cordas bambas numa passadeira vermelha para o infinito. E ela chegou. E ela veio. E eu peguei nela e metamorfosiei os podres restícios de uma angústia extrema.

.wait! they don’t love you like i love youE nesse mesmo vale de promessas flutuantes no ar, nessas mesmas ondas sonoras, nas construções que tão serenamente lançei sobre o oxigénio, esse limpo e distante da claustrofobia interna em que assentavam os meus membros esgotados, alcancei[entre vértebras de ligações estilhaçadas e pensamentos linguísticos desnivelados] a tão ansiada vivência de tudo num só dia, dias esses que nadavam numa ansiedade extrema mas que rapidamente se volatilizavam em partículas de realização máxima. Porque entre as montanhas íngremes da harmonia reinava um esforço árduo que coloria os meandros dos arbustos selvagens da minha insensatez. Da minha vontade e da minha força.

it's not the way i'm meant to be it's just the way the operation made meUm vento sussurante, uma eclética comparceria de sons, dentro e fora de mim. O meu corpo deitado sobre uma imensidão de sentimentos obliterados, de raízes efervescentes distendidas em planos horizontais da minha inconsciência, vulgo essência, antes de tudo a possibilidade e a concretização. A total estabilidade e a loucura balançeada com a hipotética responsabilidade, a paixão. Uma paixão avassaladora que me consumiu o espírito. *between the click of the light and the start of a dream*. Eu deitada sobre um lençol cor de rosa com uns calções brancos, eram 3h da manhã e ouviam-se melodias, ouvia-se gritos por vezes, ouvia-se a voz da alma. A sussurar. Como ele.

you know that, you’ll go soon. you’ll find out so take me with you. always.E no vasto espaço que se abriu perante mim, retrocede na minha insanidade. [this could be a good time] Na química fina, nos interstícios ambíguos que fomentaram a minha languidez. [it's like learning a new language]. Na ridícula adaptação a uma etapa que se esperava perfeita. E onde eu perdi a visão para a nunca encontrar? Foi algo raro não contudo desigual, nem aterrador, foi basicamente uma continuidade de um sofrimento oculto, esse que desprezei mas que nunca me deixou. E agora, porquê ver as coisas assim? [if you don't bring up those lonely parts] Numa luta suprema perdida num interior obtuso? [She broke away] Foi um período de uma subida e descida vertiginosa para terminar numa plena sensação de absoluto. De sorriso estúpido estampado na cara. Por qualquer coisa em que nem acredito e nunca acreditei. Ou teimo em esconder de mim própria. Por algo que sei que não é tudo como também sei que não é nada. used to be one of the rotten ones and i liked you for that

you come here to me. she says brief things, her love's a pony. my love's subliminal.Na plena vivência de uma total integração fisico-mental assentei a minha vontade mas não baixei a minha defesa. Envolvi-me na minha contínua dependência dispensável. Porque ela sempre foi dispensável. Porque ela sempre foi conciliável. Porque ela pode ser gerida. E eu nao a soube gerir. Eu baixei e baixei-me indissociavelmente, retrocedendo dia após dia num devaneio amoral anacrónico. but if your life is such a big joke, why should i care? Mais que tudo quis ver o que nunca veria. Sabia que tinha ido mas que tinha passagem pa voltar e nem tombei na decisão, nem me assustou a infelicidade da chegada, muito pelo contrário, eu sentia apenas que me tinham cortado ao meio como o rasgar de uma folha em que eu estava do lado diametralmente oposto. E nessa posição eu sentia-me segura. Contudo permiti que me cortassem em mil pedaços de procuras constantes de um nada que nunca me desintegraria num todo.

when i stop thinking about it, it will come back to meSó que agora, agora que o tempo passa, agora que eu vejo o tempo passar, agora que paro para assimilar tudo aquilo que me faz falta e me corrompe de uma forma exaustiva e limítrofe, consigo realmente estipular o nada que suplanta as bases do todo e nessa direcção inteirar o todo que pode ser meu.

i left the others knowing, i had to work this by myselfE porque o tudo não tem que ter uma continuidade e porque nada se repete.

dezembro 10, 2007

i'm so sorry

Ela deitou-se perpendicularmente ao vazio adulterado dele. Naqueles lençóis corrompidos por aquela noite, iluminados por luzes ecléticas, dissonantes num espaço construído a partir dos seus elos carnais, observavam-se serenamente, como se fosse uma mera ilusão de óptica. As suas formas reflectiam num espelho meio enevoado, contudo podia se vislumbrar o contorno das suas silhuetas, as curvas esquecidas dela, o peito amplo dele, a fome renegada dela.
Ela abaixou-se, ficou junto do seu corpo, imóvel. Ele desenhou figuras ao acaso no ar, esperando que elas eclodissem em qualquer coisa de novo. Ela riscou a cinzento por cima das mesmas imagens, a tracejado marcou uma linha recta que disseminou dois pontos equidistantes numa longitudinal crença. Ele acreditou. Pegou num pincel e desenhou o seu corpo, delineou as suas coxas, fitou a pulsação enquanto docemente descia no seu leito, perdia as fronteiras, agarrava-as e deixava-as fugir. Ela ligava um rádio velho que ornamentava uma poltrona suja, riscada pelo passar do tempo, e ouvia.se uma voz brasileira, uma voz quente mas leve, mesmo muito perene, com uma letra assustadoramente real. Os seus cabelos dourados escondiam umas feições sorridentes, mantidas pelo decurso da sua propria ignorância, ela preferia não ver, preferia não acreditar e aí ele apoderou-se dela.

[eu assomava com um longo vestido branco, rodeada pelas luzes das vinte velas que circundavam a cama. Deitei-me, observei. Levantei-me senti-os. Circulei em espiral por aquele antro maldito, tentando assimilar o que dali restava e o que dali me podia suplantar. Eu necessitava de ser suplantada, ultrapassada no meu percurso enfatizado, arborizado pelas mesmas consciências absolutas que me colmatavam os vazios egoístas. Sensacionalmente os espaços deixados em branco pelo meu ego militante, aquele que já não dormia em mim e de mim se tinha afastado precocemente.
Aspergi-lhe o perfume, recuperei-lhe a insanidade, dexei.me conduzir através da minha propria vertigem que ansiava, num depósito de insaciedade metafisica, esse encontro temperamental, essa evasão assente numa premissa promíscua, antes de mais obscena do meu ser. De todos os pequenos pormenores que nervosamente engolia e que demoniacamente se distendiam aos meus pés]Ele reposou sobre ela, deleitou.se com as suas finas curvas, aconchegou as suas pernas entre as dela, percorreu-lhe o lânguido corpo, lambeu-lhe docemente o peito, puxou-o para si, para junto de si. tapou-a em seguida. Deixou-a guiar-se por uma escuridão profana, imperdoável na dissociação inesperada daquele compartimento, uma erva algures deixava-se queimar[eu parei e retrocedi na minha identidade, sentei-me, deixei-me sentir, pousei as maos sobre as minhas pernas e percorri-as serenamente], ele acariciou-a repetida e repetidamente até ela soltar um orgasmo material, fruto apenas do seu toque e da ascensão numa identidade já por ela empacotada em mil caixotes[caixotes esses que abri e respirei o odor que de lá transbordava, como se as debeis faces da minha loucura pudessem envolver a minha auto.contestação]
Os dois uniram-se, uniram-se em uníssono como numa bola de ritmos que balouçava de cada vez que ele perdia o controle sobre a sua orientação. E ela não mais podia fazer que baixar o volume à musica que perspassava e esticar os seus longos cabelos cor de mel num vasto lençol branco.
Eram dois, eram dois perdidos numa hora maldita, compurscada por efeitos cada vez mais longínquos da esfera que nos integrava.

[de fora dela consegui preencher as lacunas deixadas por ela, ela que nunca soube enveredar pelo caminho certo e deitei-me sobre mim sentindo o meu ritmo cardíaco cada vez mais acelerado pela irrealidade daquela transposição metafisica. Era anatomia demais, era sexo sem pudor, eram actos enfatizados e continuamente estilhaçados por comportamentos ambíguos dilacerados em salas ocas, limpas por vácuo e com vácuo instalado.
Era o forte odor a sexo, a entrega corporal, a transcendencia através da carne que se proclamava ali. Era eu a alimentar-me daquele espectaculo como se tudo pudesse agrupar em mil colecções de luxuria libertatária, era o observar daquele pedaço de imagem por ela invertido e por ele recriado. Era apenas o acto pelo acto de afuguentar o espirito enquanto acto de destruir a alma]

[e eu fiquei. Calmamente a espera]

why do you come here when you know it makes things hard for me?

i'm so very sickened. oh, i am so sickened now.

novembro 29, 2007

.it will come back to me .

Às vezes tenho a certeza que me deito sobre um corpo de uma imobilidade intolerável que me desconforta os sentidos e me cega a sensibilidade. Por vezes parece que a racionalidade é cada vez mais difícil de chegar, que cada vez se afasta mais para um porto longínquo, como se eu a engolisse assimilando imediatamente todos os resquícios pendentes. Muitas vezes tenho noção que não tenho noção nenhuma. Que me perco constantamente no mesmo círculo que diariamente construo. Como se os meus vai e vens de insanidade, de loucura, de humores, de altos e baixos, de ascendências e quedas vertiginosas pudessem justificar tudo. Pudessem balançar as necessidades e colmatar as faltas e as perdas abruptas assentes numa ponte débil e mais que tudo disforme. Porque nem a conheço nem almejo conhecer. Perco-me antes de a ver. De a encontrar. De a confrontar. E quando o faço parece que me falta a base, toda a base, todo o pequeno desconforto que me permita tocar-lhe nas feridas, levemente para não sangrar, como se isso fosse possível dado que todo o sangue dentro de mim congelou e endureceu num tornado de insensatez maldita. Como eu fosse imune a qualquer tentativa, a qualquer raiva que me dilacera o temperamento que por natureza é inquieto e mais que isso ansioso. there´s no name for us. como se tivesse sempre no abismo da minha própria inconsciência.
E depois gera-se o medo. A raiva. Toda vinda de mim, de dentro de mim para fora de mim porque em mim não encontra lugar, onde se distenda. Onde se realize. E é ridiculo, a palavra é essa, é ridiculo, porque existem coisas que não se podem nem devem sequer pensar em brincar e eu brinco com elas todos os dias.'Ela solta os seus longos cabelos, cor de ameixa, cor de mel, espalha a sua invejável liberdade numa plataforma ampla, limpa, branca, imponente na sua função de conjecturação, de procuras constantes de vida. Morte. Dor, ecléticas necessidades. É capaz de sentir, ate de relembrar. Pode até trincar de uma forma voraz aquele pedaço de maçã proibida, completamente amaldiçoada por venenosas promessas de uma identidade sem voz, sem alma, sem corpo. E aí procurar, constantemente, dentro de si, uma linha funda, até uns 400 m, onde se reveja como num espelho estilhaçado, nos seus 789 pedaços oblíquos que caem aleatoriamente sobre um soalho humido e enevoado por uma sombra qualquer. Para poder nesse exacto instante deixar escapar do seu todo essa vontade libertatária e aí encontrar entre pedaços de terra batida e paredes riscadas de azul forte, uma significante vertigem que a catapulte para o patamar que tanto pretende ver como pretende ignorar.'


If it comes back to me i'll let you know
Or why don't you call back to see tomorrow?
I hope i can be the hand that you need
It's unlike a really good solution at the time
It's unlike a really good solution at the time
I've been giving a lots of thoughts...i was so pleased
You were so sad last time we spoke...it seemed...
When i stop thinking about it...it will come back to me.
When i stop thinking about it...i.t.w.i.l.l.co.m.e.b.a.c.k.t.o.m.e.

novembro 19, 2007

.she's lost control.

Sobre o meu corpo descansou uma lassidão imperdoável que me catapultou para aquele patamar maldito mas porém andrógeno na sua concepção mais primária. Subiram os primeiros vestígios de uma loucura invejável, vulgo sintonia adulterada, por entre as minhas veias e o meu sangue obliterado pelo desequilíbrio apoteótico do meu ser. Existencial, palavra solene, reflexão isolada, deixada num canto a sossegar o suplício linearizado. Muitas identidades, muitos ataques ao pensamento-mãe, mas poucos alcances, poucas displicências, poucas verdades.
Muita dor, muita fome, muita sede de um infinito para além da nossa consciência horizontal.‘uma luz dormente, um apogeu musical, bastantes garrafas esvaziadas num nada, narcópticos perdidos num mar de uma imensidão imensurável, provavelmente lançado numa atmofera impregnada de cortes longitudinais na pele, ferindo a susceptibilidade de um silêncio apagado, adiado para um milénio depois. Forced by the pressure, the territories marked, no longer the pleasure, oh i've since lost the heart. Paredes pintadas de um negro dourado invisível, divididas ao meio por ténues dilacerações insanas, rasgadas ferozmente naquele exacto momento, onde o apelo à impossibilidade se torna mais credível e suplicante no seu devaneio entusiástico. Corrupted from memory, no longer the power, it's creeping up slowly, that last fatal hour. Porque lançam-se gritos esquecidos no ambiente já saturado de uma impensável fome, alargada como fonte de uma promiscuidade gratuita, essa que apenas materializa a vontade como necessidade, pura e somente, saciável, inóspita, a cristaliza num limite de solubilidade já ultrapassado por vertentes intermitentemente distorcidas. Oh, i don't know what made me, what gave me the right, to mess with your values, and change wrong to right. Controle. Falta de controle numa sala abafada por vazios ecléticos, por vozes sonoras, terrivelmente elevadas a um exponencial máximo de uma amplitude inalcançavel, possivelmente nunca antes atingida. Vontade. Real empenho num atingir de patamares desprezados, mantidos em estados de absoluta inacessibilidade por demais compreenderem aquelas fronteiriças limitações onde nos propagam os resquícios de uma atribulada dependência. Para viver, para corromper, para morrer. E nesses três estados de alma ambíguos, porque o erotismo é tão somente a aprovação da vida na morte, encontram-se os nossos mais singelos desejos, completamente renegados, atirados para um sem fim de obrigatoriedades humanas, para connosco, para com eles.
E nesse instante, nesse apelo, nessa perfeita consciência de uma queda abrupta, porque tao necessária ela é, distendem-se as verticalidades subestimadas, as mais ambiciosas colheitas de descentralização merecidas. E aí, onde nasce o medo, a hesitação, o desejo, a dor, o desespero, o vício, as promessas não cumpridas adiadas para um dia sem nome, onde se criam e destroiem simultaneamente as construções que tão arquetipamente elaboramos, perdemos o controle. Não só quando o precisamos, como o desejamos, como não podemos deixar de viver sem ele, como fazemos parte dele.’

.but she expressed herself in many different ways.
.until she lost control again.

Como o defendemos, o interiorizamos, o adiamos, o quebramos, o esquecemos, o recorremos.
São sobretudo suportes onde nos debruçamos como se da própria vida se tratasse ignorando que ela nunca os suportará como nunca se confundirá com eles.

i could live a little better with the myths and the lies,
when the darkness broke in, i just broke down and cried.
I could live a little in a wider line when the change is gone.
when the urge is gone.
to lose control. when here we come.

novembro 11, 2007

one more night

Numa saturação já esperada, encontra-se a mais terrena certeza da necessidade contra a ilusória força da independência. Num critério mais astuto da individualidade e da construção concisa do avançar dos dias, permanece aquela perene vontade de contrabalançar o peso de uma existência palpável. Porque podemos não conseguir medir mas ela existe.
E no meio de tantas incertezas misturadas ao acaso escapa-nos a vulnerabilidade de uma avaliação conscienciosa. E custa. Mas nestes dias invadidos por uma circustância que grita mais alto observamo-nos a afundar num mar de papéis invertidos, num oceano de ocupações gratificantes mas mais que tudo extenuantes que nos ocupam a mente e todas essas horas que passam por nós. E aí surge aquela palavra que por mais que a critiquemos e muitas vezes fujamos dela, por mais que a utilizemos sempre que qualquer encontro não se realiza, ela existe e preenche-nos a existência. A palavra escape.

Sabemos muito bem o quão efemero é até o pronunciar da dita. Contudo a necessidade de atear a sua chama perpetua-se indefinidamente. É como o correr atrás de algo que sabemos impossível. Mas ele é impossível? Não, escapes há muitos. Todavia existe sempre um demasiadamente especial tanto pela forma como nos alcançou como pelo impacto que posteriormente nos atacou.
Existe tambem uma posição vazia que impensavelmente ele adoptou face a tantos outros que poderiam dissimular a satisfação sentida. Satisfação essa que infelizmente se propaga.

One more night, that was a good one.
One more night, i dreamed it was a good one.

One one oneFaltam-me as cores, falta-me o riso, faltam-me as horas volvidas, as noites não dormidas, os acontecimentos acompanhados de não-acontecimentos, lembra-me a noite quente, os possíveis 32 graus, o alcool, a viagem demorada num autocarro que corria perpendicularmente à minha indisposição psicológica, falta a melancolia de um abatimento esquecido, falta a surpresa sem dúvida, faltam as mesmas noites, falta a alegria estúpida estampada no rosto apenas devido aquele momento, falta aquele momento, falta juntar até o que me lembro dele, falta sentir o sabor, o cheiro e a mão dele sobre o meu corpo. Atravessa-me o desejo, a saudade, as suposições, ideais, as conversas trocadas, o que passou e não volta a ser, entra dentro de mim uma interrogação perante o porquê e o como. Excitam-me as associações que poderiam se ter dissociado num fragmento convulso da minha mente complicada, os imprevistos que poderiam afundar na mesma pergunta retórica, provavelmente aquele olhar sereno e fixo na minha direcção, até mesmo o desespero de uma vontade fisica. Desengradece-me colmatar os espaços deixados em branco com obrigações, estipulações periódicas, com fugas à minha própria necessidade, desequilibra-me a ideia que tudo se evaporou, que afinal tudo tinha outra direcção, essa que eu nunca descurei, muito pelo contrário, que eu sempre a defendi realisticamente, mas essa que me impossibilitou de concretizar esse mero escape mesmo que fosse so essa a direcção que eu poderia escolher.

he starts with her back cause that's what he sees
when she's breaking his heart she still fucks like a tease
release to the sky, look him straight in the eye
and tell him that now, that you wish he would die
you'll never touch him again so get what you can
leaving him empty just because he's a man
so good when it ends, they'll never be friends
one more night, that's all they can spend


One more night, that was a good one.
One more night, i dreamed it was a good one.

One one one
One more, one more night, that was a good one
One more night, the end should be a good one
A good one

outubro 30, 2007

7/4(shoreline)

it's a shoreline….it's high speed…its a cruel world….

and it's time..

[and you want to get away]

oh where to go to..?
when you want to get it out?

oh how to get through
if you want to get it all?

[you can own what you choose]
[and you want to live a lie]

and love what you lose

oh oh oh….!!!!!!! it's a shoreline….it's high speed….its a cruel world…and it's time
É tempo de seguir por essa linha enquanto o tempo ainda te permite que sigas por ela.
É como uma onda avassaladora indie em que eles os dois saltam enquanto gritam, esperneiam enquanto cantam, elevam-se enquanto emitem.
Sons, são melodias intrínsecas a cada momento.
É como uma carga surpreendentemente emocional de sentimentos trocados, de permutas esquecidas entre noites ultrapassadas, queimadas, relegadas.
É como um conjunto de euforia grotesta a assomar numa sala saturada onde o ar fica corrompido de uma promiscuidade que apenas pretende ir mais além.
É como procurar entre os meandros dessas mesmas salas, compartimentos abertos, uma fenda, uma abertura minimamente consciente daquilo que exasperamos mas que simultaneamente receamos.
É como ter medos mas escondê-los atrás de um armário velho, com um cheiro adulterado pelo emancipar de tantos caminhos estilhaçados a meio. De tantas vezes que se mudou o percurso apenas com receio do futuro. Um futuro eternamente atrasado para um dia sem fim.
É como nos juntarmos à volta de uma mesa redonda e levantármo-nos a meio do que nem sabemos, indo de encontro. à realização das nossas pulsões adolescentes, porque elas não deixaram de existir, e vingarmos a frustração ressequida, a dilaceração quotidiana em pedaços gratificantes de luxuria e de um adiar do significado. Da palavra pecado. Porque ela nem existe. Apenas do viver aqui, onde aqui se fomentou esta discórdia momentânea do nosso ser, e mantermo-nos serenos à espera que a libertação se processe.
E é como se essa libertação se processasse e saltassemos vivamente em cima de uma cama, partindo, deixando, fugindo, e enviesassemos os nossos próprios desconhecidos percursos em algo que sempre desejamos insano.
E é como se essa insanidade nos invadisse e permanecesse serenamente no nosso corpo e na nossa vontade.
E é como se a nossa vontade se instalasse de vez sobre o nosso ser.
E é como se simplesmente vivessemos.
Acompanhados deste som.

and you're walking away.
and you try to get through.
but you’ve got another life.
from the lies they told you.
and you try to do it right.
and they all will see you.
if you try to steal the beat. ohh.
the beat will steal you..porque este post é para uma musica
.porque este post é uma musica
.chama-se 7/4(shoreline)
.porque fala-se de Broken Social Scene
.porque é incrivel que a representação musical se intercruze na perfeição com a demonstração literária
.acho que já disse que este post é uma musica
.e nao se consegue dissociar dela
.porque ha posts sobre filmes, sobre mim, sobre tudo e sobre nada
.este é sobre, com, e para uma musica
.e para um numero
.30
.e para os 365 dias que levaram invariavelmente a este numero
.e para a passagem de um ano
.uma memória
.uma fugaz tentativa
. este post é uma musica, ja vos tinha dito?

[its coming]

it's coming in hard

outubro 15, 2007

choses secrètes

Coisas secretas escondem-se atrás do varão da nossa intelectualidade, pequenos segredos redimem-se no decorrer de uma descida íngreme pela escada da surrealidade.

Não existe luxuria sem poder nem dinheiro.

Uma coisa implica a outra, não necessariamente uma vinculação antecede-se a outra. Já dizia o grande Marquês de Sade, autor esse que Brisseau se enfastia mas que o inspirou nem que fosse pelo prazer do próprio prazer da descoberta.
Porque descobertas efectuamo-las todos os dias. O que se esconde por detrás, afinal, dos nossos recalcamentos mais íntimos? Porventura nem os queremos analisar, deixamos o inconsciente operar onde ele está, mas se em qualquer momento da vossa vida necessitassemos de deixar escapar uma sexualidade latejante que apenas se apoia na palavra ‘ousa’...deixavamo-nos ir.Às vezes basta ousar para se atingir um patamar meio inacessível a nossa mente contaminada. Por vezes não são suficientes as nossas mais valias racionais que as coisas tem de ser como elas são. Porque sabemos muito bem o caminho e os seus meandros mas acabamos por nos emaranhar numa teia que desde sempre rejeitamos contudo que inevitavelmente sucumbimos. O saber não implica uma acção, mas a partir dele podem se efectivar mesmo muitas situações. O poder de decidir prosseguir por aquele caminho nem sempre se processa com sucesso mas cabe-nos a nós, em cada ponto de retrocesso, criar amarras que nos prendam a nossa realidade, aquela que construímos, sobre a qual adormecemos e acordamos. Porque só depende de nós não chegar ao ponto de aniquilar o exterior sem que isso nos incendeie por dentro.
Porque apesar de tudo o que sabemos nada mudará. Nem lá fora nem cá dentro.

outubro 03, 2007

accident & emergency

.i’m hungry now.
i’m hungry for you.

E é estupidamente anacrónico que seja assim. É inacessivelmente idiota que se se sinta a chuva lá fora como uma mera continuação de uma tempestade hormonal, passageira, casual.
Porque as vezes só se necessita de um olhar consolador, de uma voz serena, de um estar lado a lado no mais perfeito acompanhamento do ser. De sentir que estamos realmente acompanhados e não um 'estou mais só do que sozinha'.
Porque repentinamente tudo deixou de fazer sentido assim, assim como estava, como que se a desestabilização total de um extremo fosse prioritária em relação a um equilíbrio que nada deve a ninguém. Porque nada tem que se apoiar em escapes reinventados, reconstruídos, adulterados.
Porventura nem sempre nos racionalizamos desse modo, até porque é fundamentalmente complicado, quase impossível, mantermos um poder absoluto sobre tudo o que nos ocorre. E aí nesses pequenos percalços, sorrateiro redemoinho de sensações, cores e visões surge uma voz cá dentro que susurra:

Porque eu só queria a milisémia atenção que não me dás, aquela que nem percebes que de desvanece completamente por entre ti e se dissipa com um coeficiente energético quase nulo por entre a barreira que nos separa, que agora me estilhaça mais para uma perpendicular acima da linha do impossível do que uma paralela à equatorial que nos desengrandece.
Sim é possível desencantar, mais que isso é possível considerar que se errou, se exagerou, se levantou essa ténue fronteira entre dias cada vez mais longínquos, e aí nesse pequeno sentimento de culpa nem sequer ponderar uma mudança de direcção, até porque não existem direcções a tomar.
É como lembrar-me que foi muito estupido mesmo, desnecessário aquele virar de costas 'até já', que não se realizou, que se adiou até um dia, mas que dia? Que horas, que ilusões, que possibilidades, nenhumas, já se sabe, eu sempre o soube. Eu nem sequer cheguei a entrar nesse avião porque sabia que a viagem tinha terminado antes de começar.

It's you who puts me in the magic position, darling now.

Mas eu só queria apenas uma qualquer palavra, uma qualquer demonstração, uma qualquer segurança, uma qualquer confiança, embora só receba desvios relativos aquilo que eu queria. Sim porque eu ainda acredito que não tenho que somar a diferença que concebia uma indiferença absoluta. Provavelmente, porque como a pressão, não perspectivo exasperação maior, e nesse âmbito será impossível atingirmos um mero valor negativo. Porque não existe nada que distorça mais do que já está.

Porém mesmo porém, eu sinto algo como maior, mais forte, mais abrangente, sinto varias vertentes a convergirem para o mesmo ponto, a afundarem como um rio pesado mas original, excêntrico e ditatorial, vejo-me a mim encetando varias cores, adoptando aquele estar que tanto desejei, prosseguindo calmamente e evoluindo lentamente para patamares nunca antes vistos. Porque eu gosto e antes de tudo isto é mandatorio.
E fantasticamente feliz. São mil cores, mil hipóteses coabitando no vão mais louco da inteligência. E da necessidade. Da eclética vontade de ser diferente. E pela primeira vez...gostar-se de ser assim.

Accident! Emergency!
To terrorists, catastrophe
Drop this agony, and misery
Give me accident and emergency!

setembro 16, 2007

always...

.Play me a sad song because that’s what I want to hear.
.I want you to make me cry. I want to remember the places that we left.
.Lost to the mists of time.

Pode-se afirmar que foi naquele redemoinho de sensações que se instalou uma evasão pacífica do meu ser. Levemente me enrolava sobre mim e em mim, ansiando os dias e as noites, ansiando a calma e o equilíbrio que me podiam invadir, sonhava e imaginava os meandros da minha mente afagada pela mais sublime melancolia. A da vida e das suas dualidades.
Saí de la claustrofóbica, procurei-a desesperada, que poderia ela sossegar em mim se neste corpo só sobrevivia a mais negra das desilusões vigentes? Provavelmente nada. Sei que saí de la, saí com este corpo que me fomenta o espirito, andei, observei aquelas torres simétricas e consegui apreender a melodia, o início, o início de um fim que prometia, prometia mais que cumpria mas que efectivamente me corrompeu. Porque nem interessam já as noites passadas em stress constante e choro sub-humano, apenas importa o que encarnei naqueles singelos momentos. O que simplesmente parei para assimilar. E foi qualquer como isto.

i know that you’ll go soon. you’ll find out so take me with you.
always.

She broke away sempre. Acho que até nem consegui parar para compreender que sempre foi assim. Quebrar, partir, destruir, recalcar, criar, sempre me interiorizaram a alma. Porquê renegar isso? Porquê renunciar a uma preguiça mais mental que psicológica? Porquê nao sucumbir ao que letalmente me engrandece? Acho que fui demasiado ingénua. Mas prossegui. E aí no limiar da necessidade, que por visceral me colmatava os vazios esquecidos, consegui entrar dentro da minha pele e sentir o que até então eu renunciava sentir. E porquê tão tarde? Nem interessa, foi bom e por mais que me guiasse para a aniquilação absoluta, isso não alterava mais. Because it's like learning a new language, helps me catch up on my mime. if you don't bring up those lonely parts. this could be a good time. it's like learning a new language.

Contudo ainda escutei dentro de mim: ‘but you're so cute when you're frustrated, dear..yeah you're so cute when you're sedated, dear’, e aí aceitei os efeitos do alcool. Numa mente sedada pelo inacessível nem sempre se coadunam as prioridades da forma mais correcta, até aposto uma regressão, provavelmente uma linearização com um coeficiente de correlação de 0,85. anyway não pude assegurar nada. acabei por seguir. E não cumprir. E até esse ponto fui honesta. Como sempre. O problema é que me quis afundar. Na minha maior lástima e desejo de perda. A da vontade. E da impossibilidade.
Hey, Hey, vejam só como podem ser irónicos os altos e baixos do temperamento.

E como eu gosto deles. Tick, tick, tick, tick...
Time you take it
Time you take it
You make me, you make me….you make me, you make me….

You make me want to lose it.

Neste mesmo espaço reconstruí, foi bom. Foi muito bom. Depois ainda continuou. Estranho sentir desta forma. Perda, quero perder-me...não, quero me reconstruir. É essa a palavra. Correr atrás do que me fugiu. O que fugiu? you wanted a love song from me. now there´s a love song for you.

E neste mesmo espaço(pela segunda vez), a luz cegou-me, a cor inundou-me a vista, eu quase que retrocedi, intrisecamente tive sintomas de privação, mas de quê? Deste poço maciço de ideais crucificados, ou neste dia, que em míseras 24 horas se transformou no mais penoso possível. you come here to me. we'll collect those lonely parts and set them down.


You come here to me...


Rebolei, recusando sequer compreender as luzes e os sons que se misturavam neste compartimento, no fundo só queria deixar-me ir até que esta desilusão me arrastasse para nunca mais voltar, só queria...She says brief things her love's a pony. My love's subliminal.

Ponto final, olhei pra trás e sorri. Agora dá vontade de sorrir, de passar para o outro lado da ponte de uma forma inimaginável, porque ao recorrer fui eternamente feliz e ao atravessar a passadeira nem sequer notei, como foi possível, a dor, que é a dor, transformar-se e apenas me sussurrar ao ouvido... stay out of trouble, stay in touch.
try not to think about me too much.
E é complicado pô-la de parte nestes dias que me assolam o destino, esse que nem existe, porém que se distende aos meus pes. A dor a dor, essa fome linearizada do meu apocalíptico meio de perder a identidade, a necessidade, essa linha recta que não percorro. Ela sempre ela. A ansiedade. O apelo. Mas qual apelo?

Seria possível?

But now the feeling's growing,
I would be better off with their help.

E no fundo foi tudo tão estranho assim...mas fundamentalmente....meu.

agosto 19, 2007

she broke away

..:This one is call Stella was a Diver and She’s Always Down:..Ela caminhou decididamente numa passadeira imponente na sua majestosidade eclética. Sentou-se algures, falava-se de extase epiléptico, de vicissitudes cardíacas, cheirava-se um odor a respiração ofegante, como se esta mesma albergasse cheiro, perdia-se o sabor algures, num monte dissonante, num vasto périplo de sombras imaterializadas. Deitou-se, batiam as 9h. Rodou sobre o seu próprio eixo, terminavam as 11h. Era capaz de sentir a luz ténue a bater sobre o seu corpo imóvel. Acendia um cigarro, libertava claustrofobia, eclodiam nuvens de poeira cinzenta. Ela, estava certa do seu caminho, por mais incontrolável que fosse. Por mais que ela soubesse que não podia envergar o anel. Qual anel? Afinal quem matou Laura Palmer?

when she walks down the street. she knows there’s people watching.
the building fronts are just fronts to hide the people watching her.
she once fell through the street. down the manhole in a that bad way.
the underground drip.
it's just like her scuba daysAfinal o que se amontoa sobre aquele vasto encadear de recordações? Penso que meros recortes de paisagens esquecidas, fotografias infames de momentos alguns, tintas febris derramadas por corpos incandescentes, placards de madeira envergando superstições, cartolinas rasgadas sobre a luz apoteotica de uma ignóbil chama. De uma perene fonte de prazer irremediável. Fontes apagadas e incertas. Uma leve, não, uma forte dor de cabeça, uma força imensurável que me leva a continuar caminhos que não quero e que nem os percorro. Porque no limiar da fronteira apagada visionei o conjunto feroz em que se desbastava a minha imaginação. Leves cores replicadas com disléxicos sabores. São cheiros. São proposições. Admissões. Recordações. Ligações e conexões. Days. Daze. Days.

she was all right cause the sea was so airtight. she broke away
she was all right but she can't come out tonight. she broke away

she was all right yeah the sea was so tight, air-tight…

she broke away, broke away
she broke away, broke away
she broke away, broke away

she broke away São impossibildades, vulgo cansaço. De forma, de materia, de horas e horas, e porquê? Uma evasiva raiva dissipada por encadeamentos sucessivos, provavelmente uma continuação de um cansaço inultrapassável, e porque essas barreiras são dificultadas e porque tudo não se constroi na medida em que se cria? Porque tudo não se realiza? Mas porque ela não descansa? Existirá uma plausível explicação? Mas qual? E depois? Não existe perturbação então prossegue sorrateiramente nesse percurso, mas qual?

bottom of the ocean she dwells
bottom of the ocean she dwells
from crevices caressed by fingers
and fat blue serpent swells

Stella..Stella!!! oh Stella….
Stella I love you, Stella I love you, Stella I love you….

Deitada nos tais mencionados lençois amarelos(e tudo foi mais fácil assim), ela consome o seu vício incisivo, ela mantém a vasta coberta dos sentidos acima do seu corpo. Ei-la. Ouve-se o mesmo. Sente-se ou tenta-se reproduzir em kilometros volvidos a mesma sensação. Até quase chego a acreditar que vejo o mesmo. Vi. Vivi. Senti.

well she was my catatonic sex toy lovedrug diver
well she was my catatonic sex toy lovedrug diver
she went
down
down
down
down
there into the sea
she went down
down
down
there
down
there for me

right on…oh yeah…
right on
so good…
oh yeah….
right on
so good
oh yeah…there's something that's invisible
there's some things you can't hide
try to detect you when I'm sleeping
in a wave you say goodbye

agosto 06, 2007

turn on the bright lights

Obstacle 1. Um círculo vicioso que se formou abruptamente entre vielas e avenidas, incongruentemente dissipadas pelo calor de uma noite, noite após noite, ela vem, ela caminha sobre mim. A inspiração. A inspiração. A expiração. Desce. Sobe. Pergunta. Sistematiza. Afoga em mim uma perene sensação sensaborona nesse pedaço de papel amachucado.
Ainda se encontram caídas, reestabelecidas, as folhas, as ilustrações, os moldes, modelos matemáticos circuncisados por mim. Destruídos, vulgo a destruição maciça, ofegante, demolidoramente frustrante, cambaleante no seu desmedido suor. Distance. I'll keep my distance. These things I never seem to mean. So I leave the murder scene. Este mesmo lugar que me devolve a calma perdida e amalgada por horas desgastadas, rebuscadas, inquietantes. Formou-se um círculo que rodou a meu favor. Basicamente tudo se concretizou como o ansiado, simplesmente tudo se coadunou como o merecido, mas qual esperança, qual satisfação? Via-a nos olhos dela, olhos tristes atrás de um balcão das informações, atrás de uma barriga enorme que não para de crescer..: We can cap the old times make playing only logical harm..:We can cap the old lines make playing that nothing else will change..:, vi nele abruptamente tão instável quanto certo do seu caminho, vi em mim nas diferentes ascenções, nas subidas vertiginosas.
Vi em mim quando saí e esperei por ele. Antes apareceram eles, graciosamente contornaram aquela ilha que construí a minha volta. Ilha que me limitou e me engoliu como me enrolasse inteiramente numa onda de 300 metros. Aí não conseguia obter vislumbre do redor, do que hermeticamente me fechou num quadrado obtuso, e impossível de destrinchar. ..: She puts the weight:.. ela. Eu. Eu sempre atras eu atras, atras daquilo, do resto que sobrou de mim naqueles parametros, atras daquele momento, qual?, atras do ar, da simples brisa que me invade, naquela hora, naquele exacto momento, naquele mergulho, que por si só me transmite a calma que não esperava mas que nao reconstitui. Mas shh. Silêncio. Nothing to be scared of my dreams, they keep hold of me my guides when I can't see.
E sento-me. Na areia, sento-me. E nao desaparece. Este poço sem fundo nao me remete para nada. inspiro e expiro. E nada. porque ela nao chega ate mim. Ela bate a porta da minha pele mas nao penetra nem pelo minimo poro. Continuo a olhar. Pesadamente sobre o fio da navalha que me distancia de mim em mim e para mim.
Look at us
Through the lens of a camera
Does it remove
All of our pain?
Chego a encara-la de frente, contudo não a interiorizo, e ela docemente acena-me um adeus e permanece sentada a porta, à espera. got to be some more change in my life.
Vulgo designação corrente de felicidade, momento de extase e sobretudo de satisfação, ei-la a fonte de poder desmesurado que não sinto, que nao equilibro. Porque ela não me larga, porque ela vive em mim, nas multiplas benzodiazepinas as 3 da manha, porque elas nadam em mim, mergulham e so me socorrem nas 14 horas volvidas, passadas através de Sartre, de Duras, de Camus, até de um simples Suskind, o que é isso comparado com a doce Elfriede, gosto dela porque ela escreve como eu e ela emerge como eu. : But she can read, she can read, she can read, she can read, she's bad. She can read, she can read, she can read, she's bad, oh she's bad.
O que eu mais ambiciono é emergir. É perder para ganhar. É ganhar e conseguir vencer. É encarar esta batalha ganha como algo que me transporta para um novo patamar. Que debilmente desprezo e envieso. Porque o faço? Mais uma, mais duas benzo. As vezes penso que ela escolheu muito bem, vistas as coisas, ele é fraquito, todavia acabo sempre por me redimir a dois. i know you've supported me for a long time somehow i'm not impressed. Três. São quatro. Cinco. Nunca cheguei a tanto. Se pensasse todas as noites no frio que aqueles pobres bebes apanham largados no jardim da Epal talvez fossem seis. Sete. Oito da manha.

subway is a porno

São gritos histericos. São ideias e prazeres que fogem como um relâmpago. Sao momentos, acontecimentos que crio no meu consciente que esvoaçam em direcção ao nada, são folhas, vejam só, são misturas de roupas, com cadernos, pentes e envelopes endereçados ao nada que tanto amo, redistribuídos por placas de madeira. There is love to be made. So just stay here for this while. Perhaps heartstrings recuscitate .The fading sounds of your life. São necessidades musicais, sao medos. Medos atrozes que não me interpelam, nem perguntam se lá fora está frio, isso não interessa, temos sempre Interpol para este momento. the pavements they are a mess.Broad. Gosto mesmo muito. Se me pudesse definir diria que era totalmente este agrupamento musical. Sou totalmente Broadcast. Constellation of orion. A picture with a past. A future so vast. A mnemonic game. On the arc of a journey. Nos instrumentos, nas melodias, na voz, nas letras, nos instrumentais, na definição interpessoal que surge, sou Broadcast, gosto deste avantgarde que passa deles para mim, do underground fantasmagorico que me assombra vertiginosamente.
E é incrivel, uma Sad Song que nao tem nada de Sad Song. Enquanto a ouvia pensava. Imaginava. O paraiso perdido que se espelha constantemente quando por lá passo, criteriosamente estendido a preceito quando avisto ao fundo as torres. E quantas vezes por lá passei. Chego até a ter um pequeno estremecimento quando me lembro de...sim deve ser disso. Sim pode-se dizer que sim. Depois passa. I just close my eyes as you walk out. Out. Out.
Após esses interregnos todos, creio que me reviro constantemente sobre a forma da expulsão do mais fraco e a predominância do mais forte. Acabo sempre por olhar para mim de frente e manter a velha visão de uma perfeição desenquadrada, confundida, desprezada e imensuravel. It's up to me now turn on the bright lights.

Termino por me rever nos risos de quem gosto, no sofrimento de quem perscruto com o olhar, na dimensão de uma mortalidade consciente mas estruturada.
Ate podia falar dela mas isso não me chegava.

Em certos momentos da nossa vida atingir um patamar apenas nos remete para a necessidade de atingir o imediatamente acima e a sede de absoluto consome-nos o espirito numa vasta imensidão de descontroles cerebrais. Porque não passam de automatismos estruturais. Que nos estruturam a existência.

.It's in the way that she walks, her heaven is never enough
She puts the weights in my heart
She puts the, she puts the weights into my little heart.

julho 24, 2007

thank you

Ao longo destes anos, de todos estes anos que fazem de mim aquilo que sou hoje e do qual me orgulho bastante, ao longo de todos os consecutivos anos passados no mesmo colégio, no mesmo liceu, nas mesmas discotecas, nas mesmas noites, nas mesmas tardes de praia, nas mesmas aventuras, nas mesmas rotinas, na mesma faculdade, dei-me conta, do quanto os meus temas de afiada discussão se remetiam pura e simplesmente à incompreensão. Algo que sempre fui vítima, e no fundo, cada qual, é vítima. Algo que pode nos passar completamente ao lado ou entao enclausurar-nos numa tremenda avalanche de dor e desinteresse. Por vezes voltamo-nos ainda mais para nós proprios, outras vezes nem por isso. De qualquer das formas, a interiorização é aprazível e inteiramente necessária. Depois chegamos aquele ponto em que sim, não queremos de todo porque não precisamos de mais nada. Contudo comigo surgiu assim algo que eu já perdera a esperança que aparecesse. Apareceu um ser iluminado que me compreende. E perguntam vocês, o que ela compreende que nós não compreendemos, ou porque ela consegue e nos não?
Existe uma capacidade adicional, que eu confesso que não possuo, que se chama: saber ouvir. Não é qualquer pessoa aquela que nos ouve, porque nem qualquer pessoa tem a aptidão de se conseguir pôr realmente no lugar da outra esquecendo por completo a sua pessoa, porque de facto, está a posicionar-se noutro corpo espiritual, e aí ser-lhe-á impossível sequer, fazer qualquer comparação a meio que seja consigo próprio. E sim aí podemos dizer que quem o consegue, sabe ouvir. Saber ouvir remete para uma ponte entre a inteligência e o universalismo, o saber observar, sair de si e regressar com muito mais do que entrou. E esta pessoa albergava todas essas características sim. Era mesmo como disse o Estrela, ‘uma pessoa reservada, silenciosa que sabe observar e que pertence à classe das pessoas mais inteligentes’.
Muitos dos meus ‘males’ nasceram exactamente da situação de nao ter quem me ouvisse mesmo. Quem pudesse entrar dentro de mim e aí compreender na perfeição o que se passava cá dentro. Não havia. Agora há. E agora que faz um ano precisamente que este ser entrou na minha vida não posso deixar passar a data em branco.
Existem coisas mesmo muito surreais, porque as circunstâncias em que nos conhecemos não eram nada enquadradas numa perspectiva qualquer de vida minha, ou seja, nunca me imaginaria noutros tempos a ir como fui daquela vez. Depois vieram os depois e esses depois acabaram assim. Nesta amizade que aparte, de eu ter pessoas de quem gosto muito e que sim também sabem ouvir à sua maneira e muito me deram ao longo destes anos, nunca me conseguiram conceder a paz com que fico depois de falar com esta pessoa. E é fenomenal porque parece uma obra do destino qualquer. (destino?), depois de passar uma das fases mais complicadas da minha vida e ter tido mesmo pessoas do meu lado, incansáveis, e mais que tudo amigas, pergunto o que esta pessoa não teria feito por mim na altura. Parece que todo aquele conjunto de acontecimentos vieram tao simplesmente forçar a que nos conhecessemos porque, sim, eu atravessaria períodos tao complicados quanto aquele e sim, estava como se há-de dizer, já há muito tempo sem a encontrar. Nunca pensei sequer em encontrar...repito. a esperança tava perdida. Todavia eis que na Ribeira eu conheco a rapariguinha caladinha, muito sossegadita, a rir.se de vez em quando, e sobretudo a observar. Que teria ela observado de mim naquela noite? Não sei. Seguiram.se outras e uma bela tarde no tasco da Maia, ali o batido de pistacho LOL ou era d morango? Enfim, aí penso que fiz o que fazia com as pessoas. Ao mesmo tempo senti que podia. Sim porque no fundo, eu estava-me a comprometer a que tudo me saísse ao contrário, o meu desabafo podia não cair de todo bem, mas nunca fui pessoa de pensar em consequências dos meus actos, e de facto arrisquei sem pensar, saiu-me naturalmente e ela naturalmente ouviu.me e falou comigo como se me conhecesse há anos e como eu tivesse simplesmente a falar de algo que ela tão bem conhecia. E assim continuou. Até hoje. Esteve presente num momento particularmente dificil meu, não pessoalmente, mas esteve, e embora na altura eu tivesse recorrido a ela sinto que se fosse agora recorreria com maior intensidade visto a força da ligação que se formou.
Não posso afirmar que depois deste acontecimento na minha vida, comecei a ver os outros de outra forma, ou a dar-lhes menos créditos, não de todo, apenas me vejo de outra maneira e me posiciono na vida e em mim de uma maneira que há totil (lol) que precisava. Porque por mais que eu acredite que a felicidade, os momentos, existem e se consolidam no vão da nossa solidão existencialista, no meu perene caso, sempre precisei de uma voz, uma voz não complexa, não sábia demais, uma voz apenas que agisse como uma unica chave para uma fechadura.
E acreditando nas palavras proferidas por ela hoje, acredito que é recíproco embora muitas vezes não me pareça, como se eu fosse uma vampira sugadora e nem pensasse um pouco como as coisas são para ela. Parece que apesar de termos esta relação, esta confiança, somos pessoas muito diferentes. Talvez eu me sinta cada vez mais como ela. Talvez eu veja as coisas tão mais...pacíficas e menos necessárias de exposição. Isso sem duvida. Mas mais que tudo. Eu sinto que aquilo que nos une mesmo a 300 km de distância é especial, é unico e vai ser para sempre. Alias, acho mesmo que é indestrutível. O que até é arriscado de se afirmar. Mas se arrisquei tanto até agora, porque não arriscar no limiar? Sempre!!lov u*

e como acabou por ser um testamento, deixo aqui uma musiquinha que gosto mesmo muito!! adoro, e penso que também gostas, ou não fosse ele o nosso Brian!


I wrote this novel just for you
It sounds pretentious but it's true
I wrote this novel just for you
That's why it's vulgar
That's why it's blue
And I say thank you
I say thank you

I wrote this novel just for Mom
For all the Mommy things she's done
For all the times she showed me wrong
For all the times she sang God's song
And I say thank you Mom
Hello Mom
Thank you Mom
Hi Mom

I read a book about Uncle Tom
Where whitey bastard made a bomb
But now Ebonics rule our song
Those motherfuckers got it wrong
And I ask
Who is uncle Tom?
Who is uncle Tom?
Who is uncle Tom?
You are

I read a book about the self
Said I should get expensive help
Go fix my head
Create some wealth
Put my neurosis on the shelf

But I don't care for myself
I don't care for myself
I don't care for myself
I don't care

I wrote this novel just for you
I'm so pretentious
Yes it's true
I wrote this novel just for you
Just for you


Just for you

julho 09, 2007

we must never be apart

Today is the greatest day i ’ve ever knownE foi assim que Billy Corgan se apresentou na madrugada do dia 10 de Junho no festival Oeiras Alive. E nos primeiros acordes começou a chover.
Foi indescritível o momento por isso não vou sequer tentar descrever. Foi e apenas foi e sentiu o que sentiu quem desde anos e anos da sua juventude seguiu assombrosamente a história de uma banda épica de Rock and Roll.
Os Smashing Pumpkins não foram aqueles que estiveram em palco. E Billy Corgan sabe disso. Sabe que depois de ter reiventado e introduzido uma lenda na historia da Música no Mundo dificilmente, depois daquela quebra relacional, poderia reverter situações irreversíveis.
Após um reconhecido Gish, um lírico Siamese Dream, um acolhedor Pisces Iscariot, um potente, fenomenal e incomparável Mellon Collie and The Infinite Sadness, uma obra de pura e inultrapassável arte chamada Adore, um fogoso e apaixonante Machina The Machines of God, sem esquecer o curioso e brilhante The Aeroplane Flies High-Turn Left Turn Right, Billy Corgan e Jimmy Chamberlin chamam três musicos e sobre a força da convicção do primeiro, apresentam-se como The Smashing Pumpkins. Lançam hoje Zeitgeist. Fazem uma digressão de apresentação ao álbum.

Decorria o ano de 2000 quando Billy Corgan, D’Arcy, James Iha, e Jimmy Chamberlin anunciavam o fim da sua carreira. Com o visceral concerto no Estádio do Restelo, despediam-se assim dos muitos fãs portugueses que os acompanharam. Chorei bastante, não pude acreditar, recordava o momento que a Shame entrou na minha vida, os multiplos acontecimentos que me faziam recorrer ao Adore, as desesperantes necessidades de ouvir a voz do Billy para conseguir ultrapassar muito do que até então vivia. A sua voz sempre foi a minha salvação. Em muitos momentos dela, desde os 12 e principalmente nos 15/16 anos, vivi intensamente o que se chama por amor a alguém, neste caso, à música, a um album, a muitos albuns, a um musico. Inegável é a excelência deste Senhor. Quer se goste quer não se goste, continua a ser das poucas pessoas que se pode apelidar de artista, de um génio. E como tal, tem um objectivo na sua vida. A perfeição. E aí sim. Ele sabe-o. Atingiu-a por muitas vezes. Mas como todos os prós também existem contras e foi exactamente esse feitio obsessivo que conduziu ao fim da sua carreira.
E eu continuava a recordar os momentos que inventava mil desculpas à Mourão para não lhe emprestar o Adore porque simplesmente não conseguia viver sem ele, a epopeia que foi o encontro com os amigos dela que rapidamente se tornaram meus amigos, aquelas peripécias que a ninguém mesmo, aquela fila enorme que passamos a frente nem eu sei como, eram umas 21h...enfim. o táxi táxi táxi.
Zwan foi uma criação inóspita, vulgar e que não careceu de nenhuma atenção minha. Billy afundou-se e no buraco não conseguia visionar o fundo. Nem um ano volvido e proferia:’Nem sei como entrei nisto..’. Pois nem eu.
2005 aparece TheFutureEmbrace, o seu album a solo. Na Aula Magna o esperei e nela tive a certeza(como podem ler em:http://trustanyone.blogspot.com/2005_06_01_archive.html, post de dia 10 de Junho, curiosamente). Ele queria e precisava de voltar com os Smashing. O James Iha, a D’Arcy e o Jimmy Chamberlin.
Em 2007 é anunciado o seu regresso. Todavia não. Ele não conseguiu o que precisava porque D’Arcy e James Iha não se encontrão com ele. A vida continua e é feita de momentos. O seu poder criativo e toda a sua majestosidade só morrerão quando ele deixar este Mundo, por isso, acredito nele, neste homem que deu tudo de si pela Música e pela orgânica força que o acompanha. Sei que os Smashing Pumpkins neste momento são Ele e a sua grande amizade por Chamberlin. Sei que dificilmente vibrarei com algo que daqui nasca como vibrei ha anos. Também sei que a musica evoluiu para novos patamares e o que se ouvia em 1995 não é de todo o mesmo que se ouve agora. Porém existem coisas imortais. Fenómenos mesmo. Existe fome de criação e vontade de agarrar o momento por quem sabe que reune todo o talento para conseguir tal. Estarei sempre do lado dele. Sempre com ele. Agora e sempre.

Because him is the greatest artist i’ve ever known….

.De facto esta época não deu assim muitas tréguas e o tempo para actualizar o blog foi escasso mas ja reuni algum tempo! os exames ainda não acabaram contudo já estão mais perto do seu final. Peço desculpa a quem cá vem ler qualquer coisa de novo...a época é complexa :s =)

junho 07, 2007

amorino

Make it whole. Heart and soul.
Make it whole. Heart and soul.
Make it whole. Heart and soul.E é assim, vou dar uma pausa no blog, que se espera breve, na medida em que esta época por qual passo, é de facto bastante intensa a nível de estudo/trabalho.
Não deixo de salientar o grande Billy Corgan, faltam dois dias, para o Alive.


Un jour je t'emmènerai
Vers ce grand pays froid
Là où l'été se tait
La nuit la pluie sans cesse
Engouffré par l'hiver
Et blotti contre toi
Je te raconterai
Cette envie qui fait vivre

maio 27, 2007

Placebo

Foi com Special K e 20 Years que conheci a voz entranhável de Brian Molko. Essa voz que sempre que ouvia, saía a ideia da minha boca ‘bem qualquer musica deste senhor eu gosto’. Rondava o ano de 2000. Até me lembro das palavras em estilo de convite do meu caro amigo Capelão:’Smashing não é muito a minha onda...mas Placebo gosto bastante...assim do tipo de bandas que tem mais que ver contigo...’. Estavámos de frente para um anuncio qualquer de um festival qualquer que eles iriam actuar. Ele continuou:”Nem me importava de os ouvir tocar’.Em 1996, Brian Molko, Stefan Olsdal e Steve Hewitt lançam o seu primeiro album. Placebo começa com Come Home uma bomba musical. A influência de Smashing Pumpkins era notória na bateria de Steve, uma forte predominância da parte instrumental que assola por completo a primeira musica de uma carreira invejável. Bionic consegue reunir os maiores créditos no album, tornando-se umas das melhores musicas que Brian e seus companheiros fizeram em todo o seu percurso. Tanto uma como a outra carregam em si uma inesgotável fonte de exaltação temperamental, uma mistura dinâmica de impulsos adolescentes carregados de desenfreada sexualidade com uma precoce procura de vida. Dois registos que sem duvida catapultam esta banda não só como uma percursora de rock puro e bonito de se ver com um premente existencialismo. Segue-se I Know e Lady of the Flowers, como outros dois grandes momentos do trabalho acompanhados pela ininterrupta 36 Degrees. Aquele ‘i’ve never been an extrovert happily bleeding..’ não deixa ninguém indiferente....eu as vezes grito quando ele diz happily bleeding...mas não. Placebo arrisca-se a ser um dos melhores albuns de rock de sempre e um consistente e fantastico album de Placebo. Não obstante, os dois singles escolhidos, Nancy Boy e Bruise Pristine, ficam muito aquém do que este trabalho nos pode fornecer...mas lá está...singles :S anyway é dos albuns que mais roda na minha aparelhagem porque rock sempre foi a minha base. Além de que voz de Brian é voz de Brian. Um vício.
Em 1998, Without You I’m Nothing, vem glorificar uma carreira que se esperava mais que promissora. Ask for Answers e Without you I’m Nothing, tornam-se em soberbas obras de arte musicais, com especial ênfase para a emotiva segunda musica citada que dá nome ao album. Aqui assiste-se a um atingir na perfeição musical da banda como um todo, com a força desesperante de Brian Molko na voz que lhe concede toda a sua alma. Maduro, indissociável, atípico, acaba por se tornar em algo diferente do primeiro registo, na medida também que nenhum outro trabalho deles se pode comparar ao primeiro, e a iniciação em outros domínios sai um sucesso. My Sweet Prince é provavelmente a musica mais original do conjunto, encerrando um apelo simultaneamente introspectivo como sarcástico. Arrisca-se a ser também considerado o melhor album da sua historia, pois no percorrer de cada faixa, ele nunca decresce de nível, assumindo contornos deliciosamente funcionais. Existem grandiosos momentos. You Don’t Care About Us. Summer’s Gonne. Every Me Every You. Brick Stickhouse.Chegamos a 2001, e eis que explode, Black Market Music com a imponente Special K, provavelmente a musica mais conhecida do trio europeu. Curioso que foi com ela que os conheci mas foi este o ultimo album que dei ouvido. Terrivelmente inovador, Brian e seus companheiros enveredam por um estilo um pouco diferente, Brian até partilha a sua voz com um rapper em Spite&Malice, que resulta fantasticamente. Este projecto concretizado inclui uma diversidade de estilos e graduais representações artísticas, sem duvida que a linearidade de valor é um objecto a admirar e a elogiar. Temos um single menos bom(pois lá esta eu e os singles), chamado Taste In Men, mas depois aceleram sem destino para voltar, até ao topo da irreverência musical. Temos Special K(que me provoca orgasmos na parte Gravity), Black-Eyed, Commercial for Levi, Haemoglobin, Narcoleptic, Peeping Tom, Days Before You Came. E depois temos dois registos intemporais e que para mim caracterizam e competem para o lugar de melhor música do album: Passive-Agressive e Blue American. A caminhada vai no adro e chegamos a 2003.

Se eu fizer uma avaliação pessoal, de facto, sim, Sleeping With Ghosts é o melhor album de Placebo. A mim transporta-me para outro mundo, por vezes aquele que entrei quando o conheci pela primeira vez, como para o mundo da exorcisão metafisica da premente pergunta retórica que fazemos ao mundo. Eles tocam no fundo da transcendentalidade das suas composições transpostas para uma realidade exultante e expectante. Sim dá vontade de lhes dizer:’ é isso aí!!!’, mas mesmo. Chegam a pegar nas bases de Sade, o grande Marquês de Sade e nas dissertações de Bataille. Este com certeza iria gostar de conhecer estes senhores e se pudesse escolher uma banda sonora para acompanhar as suas obras escolheria esta. Ultrapassam-se sim. Saliento English Summer Rain,This Picture, Sleeping With Ghosts, Bitter End, Special Needs, Protect Me From What I Want e CentreFolds. Um video memoravel- Special Needs. Ai estavam mesmo inspirados =) de realçar a força de This Picture. E uma versão francesa não incluida neste album de Protect Me From What I Want denominada Protege-Moi. E aí alcançamos um bico de obra porque esta juntamente com Bionic disputam o primeiro lugar na minha preferência pessoal. A mais atípica, a mais incomparavel musica de Placebo é esta, com uma certa queda pela versão french. Um video realizado pelo Gaspar Noe(só podia), um cenário de Bataille em cenografia de Christopher Honoré. As vezes as letras dizem o que dizem, fazem-no apenas mas aqui assiste-se a um aprofundamento da mais básica questão humana. E quando se atinge um patamar um pouco acima do que é esperado, é de marcar na história da Música.Meds surge em 2006 com dois grandes momentos, um denominado Meds e outro Drag, com uma In the Cold Light of Mourning soberba. E só. Nem todas as bandas conseguem fazer sempre ilustres albuns e aqui apresenta-se um queda meio abrupta. O album menos luminoso e menos brilhante. Quem conheceu Placebo através deste album deve seguramente conhecer o que eles fizeram antes porque de certo terão outra perspectiva. Todavia não deixa de ser agradavel ouvir Molko em varios registos, onde a meu ver, nem todos se igualam e todos tem o seu carisma. Onde saliento sem duvida nenhuma a musica que faz revirar tudo. Drag. Obrigada Placebo =)
Não esquecer os inebriantes covers, como Johnny&Mary, Bigmouth Strikes Again, Where’s My Mind e o actual Running Up that Hill.

Placebo é um tratamento inerte, que pode ser na forma de um fármaco, e que apresenta efeitos terapêuticos devido aos efeitos fisiológicos da crença do paciente de que está sendo tratado. Pode ser eficaz porque pode reduzir a ansiedade do paciente, revertendo assim uma série de respostas orgânicas que dificultam a cura espontânea:
· Aumento da frequência cardíaca e respiratória
· Produção e libertação de adrenalina na circulação sanguínea
· Contracção dos vasos sanguíneos

Pessoalmente a mim deixa-me louca. Addicted mesmo.Foto by me na segunda fila do CreamFields Lisboa